- Ah, Bernardo, obrigada! Eu amo essas cocadas recheadas com leite condensado! Ontem o moço passou aqui no serviço vendendo e eu não pude comprar, pois esqueci a bolsa.
- Eu sei... Por isso disse que poderia te trazer, já que lá perto de casa tem um homem que vende delas também.
- É, você foi um amor! Mas, quanto foi? Deixa eu pegar o dinheiro.
- Er...bom, foi trinta reais...mas, digo, não precisa me dar não.
- Ah, claro que precisa, pô! Você tirou do seu dinheiro! Peraí que vou pegar na bolsa.
- O que é isso...não precisa, não...mas já que você...
- Tem certeza que não precisa?
- Ah, bom, bem, quer dizer...
- Ah, que bonitinho! Obrigado então, Bernardo! Você é um amor!
***
- Bernardo!
- Oi, Joana.
- Sabe, eu tava pensando: é muita cocada pra comer sozinha. Não quer me ajudar?
- Bom, é que, bem...
- E então?
- Tá. Tudo bem. Mas se a gente comer aqui, vamos ficar sem nenhuma, tem muita gente. E é falta de educação oferecer a uns e não a outros.
- Tem razão. Então vamos pra onde?
- Bom, podemos ir pro meu carro.
- Não sei, já passam das sete e eu nunca comi cocada no carro.
***
- Sabe Joana, é que....bom, hum, é que acho que aqui não é o melhor lugar pra comer essas cocadas.
- Por quê?.
- Ah, acho que meu carro é muito pequeno, abafado.
- É, tá abafado mesmo. Tem alguma idéia?
- Ah, bom...sei lá, poderíamos ir pra um lugar legal, que só tivesse a gente, um local mais reservado pra comermos estas cocadas...
- Sim, sim...mas onde?
- Bom...bem, é que, bom, tá, vou falar: eu pensei num motel.
- Num motel?
- É. Que tal?
- Não sei, já passam das oito e eu nunca comi cocada no motel.
***
- Ai, que delícia, Bernardo...hum, hum, ui...Bernaaaaaaardo...Ai, Bernardão, ai... BERNARDO, AÍ NÃO!
- Ah...bom...tá, desculpe.
- ...
- Deixa só um pouquinho, vai?
- Não sei, já é tarde e eu nunca deixei comerem minha cocada desse jeito...
*Foto extraída de www.svicci.blogspot.com.
