É que precisou ir ao banheiro, e na falta do que ler levara a primeira revista que viu na mesa do colega de trabalho, só percebendo que se tratava de uma Playboy quase à porta do toalete.Quando voltou, não tardaram os comentários maldosos, da secretária ao estagiário. Não gostou das brincadeirinhas machistas falando de masturbação no serviço ou das feministas dizendo que era normal, que todo mundo precisava fazer sexo consigo mesmo. “Mas euzinha nunca mais aperto a mão dele!”, disse uma falsa recatada.
Não agüentando mais as zombarias, berrou em um tom de voz que jamais alguém havia escutado dele, quanto mais na empresa. E deixou sair o que estava no seu âmago.
- Gen-te! Querem pa-rar com isso? Eu não estava no toalete brin-cando com meu piupiu, seus tro-glo-di-tas! Também não estava re-la-xan-do comigo mesmo, suas ra-chas mocréias! É a entrevista do Giba, gente! Aquele ma-ra-vi-lho-so do vôlei, por quem eu daria tu-di-nho, mas que ele ja-mais iria querer, ainda mais se soubesse dos meus lindos pen-sa-men-ti-nhos enquanto fazia o número dois...
*O jeito de falar silabicamente de alguns gays, peruas e patrícias foi extraído dos contos da Samanthinha.
