Em vinte e dois anos de vida jamais haviam amado assim. Bom, pelo menos era o que achavam sentir. E por isso saíram do conforto de suas respectivas casas - bairros bons, quartos próprios, comidinha da mamãe, mesadinha do papai e roupinha lavada pela empregada - para viverem juntos seu amor incondicional, de três meses.Casaram-se às pressas e à revelia dos pais, os abordaram da pior forma imaginável para falar do assunto, mas mesmo assim, confiavam no amor que sentiam. Contra tudo e todos. Em todos, inclui-se eles mesmos. Afinal, sempre sabemos quando estamos fazendo uma grande lambança, todavia insistimos em tampar o sol com a peneira.
A rotina, a instabilidade profissional de ambos e as dívidas foram cruciais para o desencanto, mas foi a falta de espaço que contribuiu rapidamente para os deixarem lúcidos, enxergando que o tal amor louco não passava de vontade de dormir juntos e fazerem amor como animais. Porque, passada a novidade, perdeu a graça brincar de casinha. E esta caiu justamente no dia em que ela na têpêeme e ele cervejado de happy hour discutiram. Resultado: ela o mandou dormir no sofá da sala. Ele, a contragosto, se jogou no pufe que havia há alguns passos da cama. A moça, obviamente, não se sentiu contemplada, pois no auge da raiva esquecera que moravam em uma pequena kitnet.
***
Inspirado no nanoconto:Mandou o marido para o sofá da sala, reclamando que seu ronco não a deixava dormir. Mas continuou insone, afinal, eles moram em uma kitnet.
*Ilustração extraída do blogue Linha da Última Resistência.

27 comentários:
Caraca, gostei heim, conseguiu em poucas linhas passar a imagem perfeita do que acontece com muitos casais
Quem já foi casado e nunca passou por isso que atire a primeira pedra! hehehehehe
tenho uma amiga q está passando por isso!!! com direito a morar numa kitnet e tdo!
bjs
Putamerda! Não há amor no mundo tão grande para fazer duas pessoas largarem o conforto de suas casas e irem morar numa kitnet. Pelo menos um quarto e sala, para este tipo de situação, né? Rssss!
Bjs!
RSrsrsr vou rir pra não chorar. Imagine a invasão de vida que é um kitnet.Não há relação que suporte, amor que seja eterno. Espaço é primeira necessidade, precisamos respirar. Já se troca fluidos, mas é preciso se mexer, e não respirar o resto de ar de outro e nem sentir que seus pensamentos estão sendo escutados...
antes de mais nada é preciso ter noção do espaço antes de criar confusão... principalmente se esta for a altas horas.rs.s..s
Eu rí muito disso!
kaposkaopskopakpospoasopa
Eu rí muito disso!
kaposkaopskopakpospoasopa
Sem problemas Fernando temos que fazer uma rede mesmo nesse cyber espaço.
Caso vc queira conhecer um pouco do meu trabalho como escritor e poeta é só visitar meu blog: http://poemasdecaverna.blogspot.com/
Me chamo Marcos Henrique, tenho o Linha da última Resistência e outros blogs
Cadu: fala, meu querido. Enorme satisfação tê-lo aqui nos comentários. Bom, ainda bem que eu não conheço tantos casais desvairados assim. Já pensou? Você briga, não quer nem olhar pra cara da pessoa e não ter como? Casais, antes de se casarem deveriam pensar no tamanho da casa que comprarão. Aliás, isso renderá uma tuitada.
Nika: acho que não haverá pedrada alguma, né.
costela de eva: mas mulher, conte o babdo aqui pra gente opinar. Que tal? E seja bem-vinda ao blogue deste reles contista.
Lá: linda, como diria uma pessoa querida, "Ah, pra sair da minha casa, onde tenho tudo, só se for pra viver de igual forma!". E com razão, certo?
Vampirinha: anotarei sua frase pra escrever qualquer coisa no fututo, porque, de fato, quando o espaço é pequeno, escuta-se até os pensamentos. =)
Rod: meu querido, tem toda a razão. Antes de brigar, lembre-se: você mora em uma kitnet.
Bia: que bom que gostou, gatinha. Nunca mais a vi por aqui. Por onde esteve?
Marcos: cara, parabéns pelo seu blogue, o qual já, já comentarei. Aprecio muito os poetas, como sempre digo, porque sempre que faço poemas acabo rimando coração, emoção e caminhão. Hehehe.
Seja bem vindo e linque a Coluna no teu blogue. Aqui tu já estás lincado.
Abraços!
Nem só de amor se vive... mas de liberdade, libertinagem e dinheiro. Francamente, dinheiro ainda move esse mundo cão. E as cabeças sãs.
Bjo enorme!
Fernando, menino... casar já tá difícil morando num apartamente 3 quartos, imagina numa kit.... heehehehehehe
bju queridão
Oi, adorei seu blog, muito bom!
O meu é sobre Cultura e Arte no Recôncavo
da Bahia.
Ah, não esqueci de me visitar, ok?
Te espero!
Boa sorte...
É... isso é que dá cair nas garras do amor.. rs
Principalmente nessa tenra idade...
Muito bom.
Bejosss
Adorei,
Que posso dizer gostei demais... Espero o próximo.
risos... muito bom!
Só de imaginar a situação, fico louca! Numa relação, as duas partes precisam de um pouco de espaço, de liberdade, ficar sozinhos de vez em quando. E a pressa, não leva a nada, né?!
Primeiro, aprender a conviver, tentar conhecer mais o outro... uma loucura de cada vez... hehehe
Bom domingo pra você,
Beijos
Oi Fernando!
Primeiro lugar, thanks for the comment!
Agora vamos ao seu post.
Clichês. Eu acredito em clichês. Na verdade eu acho q os clichês foram feitos para que a gente assuma as máximas, sem precisar admiti-las, sabe? É só depois dizer q "é clichê".
Em todo caso, por maior q seja o amor, num espaço pequeno, é meio dificil dele proliferar e gerar bons frutos, viu? E olha que eu nem tô falando de filhos!
é mais ou menos assim que funciona o casamento, por isso que defendo a ideia de: morar junto, tudo bem! Mas cada um com seu quarto!
Adorei o texto e o blog.
Estou linkando no Ponto Rouge para voltar aqui mais vezes.
beijo rouge
Dani
Como diz o título, isso é bem comum hoje em dia.
Hahahahahaha
Bom demais!
Abç!
Relacionamentos que só se baseiam no tesão são foda! Acabada a animalidade, acaba tudo! Abraço, Fernandão!
E quem disse que o amor dura pra sempre?
Bahh
Menino! Eu casei em 3 meses! Daí que fomos procurar apartamento para morar antes. Apareceu um apartamento que pareceu legal. Fomos lá. Acho que uma kitnet era mais espaçosa. Fora isso, o nosso vizinho mais próximo era a linha ferroviária, colada ao prédio. Minha vida passou aos meus olhos naqueles minutos enquanto o dono do apartamento dizia que tudo ali era maravilhoso - justo eu que sempre morei em casões!
Não, não ficamos com aquilo.
Estou casada ha quase 18 anos. ;)
beijocas
E adorei o outro blog! :)
"FELICIDADE REALISTA
De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vitton e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Por que só podemos ser felizes formando um par, e não como ímpares? Ter um parceiro constante não é sinônimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo às expectativas da sociedade, mas isso é outro assunto. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com três parceiros, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio(...)" Martha Medeiros
PS: Por isso a Kitnet não se encaixa. Mas realmente, algumas coisas deveriam acontecer diariamente. :)
então ela teve o gostinho de dizer um dos primeiros clichês dos casados... "vá dormir na sala". e vão vir outros... tantos outros... que bom que o pufe e a kitinet mudaram todo o rumo da história assim eles podem ser um casal com outros rumos também.
eu riria disso, na mesma hora que me desse conta do que tinha dito
rss
beijo
As pequenas levando às grandes inspirações.
Leremo-nos.
Microabraço.
Cheguei aqui pelo blog da Menina Misteriosa...mesmo já tendo visto diversas vezes seu nick entre alguns followers que sigo, ainda não tinha tido a curiosidade.
Gostei muuuuito do que li por aqui! =)
Não gosto mto de blog de contos, mas os seus são deliciosos, leves, perversos (na medida certa), irreverentes....enfim, gostei mto! voltei lendo alguns, os 'nanocontos' e talz...e as meninas me indicaram ainda um outro blog, seu tb,vi o banner por aqui mas deixei pra ler em casa.
Em todo caso, só comentei pra avisar que ganhou mais uma leitora. Está de parabéns pelo blog!
Abraços.
=p
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