terça-feira, 25 de novembro de 2008

PROFISSÃO DO FUTURO

Era sua sétima tentativa de emprego quando viu nos classificados de domingo:

Empresa de médio porte que deseja expandir seu ramo de atuação na América do Sul, contrata profissionais entre vinte e dois e vinte oito anos, com formação superior – preferência de graduação em administração – para o cargo de trainee. É desejável inglês intermediário e imprescindível espanhol avançado, assim como disponibilidade para viagens para o exterior. Ganho inicial acima de R$ 3.500,00, com possibilidades de ascensão dentro da organização, além de benefícios como planos de saúde e odontológico. Interessados encaminhar e-mail para erreaga@operna.com.br.

Atendeu ao anúncio e conseguiu a vaga. E após um ano e meio como trainee, teve ascensão meteórica, consolidando-se como Diretor de Logística para toda a América Latina.

Atualmente está bem de vida, mas não se acomodou e ambiciona o cargo de Diretor Executivo da organização, e para isso, vem prospectando os mercados do México e Estados Unidos, uma vez que os fornecedores e usuários destes países vêm reclamando da baixa qualidade da cocaína que eles têm por lá.

Se os traficantes tem até a chave da própria cela, abrir uma empresa para exportar o produto será fácil, fácil. E quem sabe o programa de seleção de candidatos não vire um reality show apresentado pelo Justus?

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

VÍTIMA ADESTRADA

Tarde da noite em uma avenida qualquer de uma grande cidade também qualquer do Brasil...

- Toc, toc, toc.
- ...
- Abre a janela, cumpadi! Não tá vendo o cano, não?
- Tô vendo, sim. – Disse ele, abrindo a janela.
- Então, chegado! Perdeu, perdeu! Passa a... Fodeu! Os cana!
- Entra no carro, entra no carro, porra!
- Puta merda, essa foi por pouco! Foram embora...Valeu, chegado! Mas por que me ajudou?
- Porque corro menos perigo contigo.
- Sim...Mas não vai pensando que vou aliviar seu lado, não!
- Não, não, pode ficar tranqüilo...E no mais? Tudo beleza?
- Er...bom, beleza. Só faz um pouco de frio perambular por aí a essa hora, esperando trabalho, mas tá de boa. – Respondeu o assaltante com feição mais calma.
- É, imagino...deve ser barra.
- Pois é...perigoso demais, rapá! Cê tá doido!
- Aqui é meio escuro, né...
- É, falta iluminação...É essa porra de governo que não ajuda nossa classe!
- É verdade...
- ...
- ...
- Bom, assim, sem querer ser muito folgado, passa a grana, cara.
- Tudo bem, mas vira isso pra lá, pô!
- O quê, a pistola? Ah, desculpa, é a força do hábito. Mas relaxa...É de brinquedo.
- Mentira! Cara, que do caralho! Posso ver?
- Claro que pode!
- Porra, parece de verdade mesmo, hein?
- Pois é. Não comprei uma de verdade porque não sabia usar direito.
- Como assim, não sabe usar direito? Esse não é teu ofício?
- Olha só, vou te confessar algo: hoje é meu primeiro dia!
- Putz, não brinca...
- É sério.
- Sério mesmo?
- Tô te falando, cumpadi.
- Sim...E como foi o primeiro dia?
- Nada bom. Até agora só tive um cliente, que foi você.
- Ah, mas tá legal pro primeiro dia!
- É verdade... Aí, tu é um cara gente boa...
- Ah, o que é isso, obrigado pelo elogio! Você também não é má pessoa!
- Prazer, Idaílson. – Disse o assaltante estendendo a mão.
- Eu sou o Gustavo.
- É...o papo tá bom e até te convidaria pra tomar um chope, mas ainda tô no meu horário de expediente, então...
- Não, o que é isso, sem problemas. A gente marca outro dia, pode ser?
- Claro! Bom, então vou indo...
- Até mais!

Gustavo deu a partida e saiu dirigindo lentamente. Pouco metros na frente freou, pôs a cara para a fora da janela e procurou por seu algoz, que caminhava de costas.

- Idaílson! – Gustavo berrou dando a ré no carro.
- Fala, meu chegado!
- Tu esqueceu de levar o dinheiro, pô!
- Putz! Onde eu tô com a cabeça...
- Relaxa. Deve ser inexperiência do primeiro dia.
- É, tem razão, deve ser. Cara, brigado. Não sei nem o que dizer...
- Ah, disponha. E não precisa dizer nada, não. – E foi embora, enquanto o assaltante pensava sozinho com seus botões.
- Tá vendo? É de gente boa assim que esse país precisa!

*Inspirado livremente em cena do filme Meu nome não é Johnny.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

OBA-OBA DIGITAL (Agora, em nova versão para a Coluna)

- Turulim! Oi meu bem...

- (Meu bem? Como assim?)

- Turulim! Amorzinho? Vc tá aí?

- (Amorzinho? Ah, agora avacalhou de vez! Ah, aí tem coisa, Pereira! E eu vou descobrir tin-tin por tin-tin!) To sim meu bem! Td bem c/ vc?

- Turulim! Naum...to c/ saudades... – Turulim! Vc naum veio me ve ontem...quero vc, quero vc todinho...vem p/ ca vem?


Desligou o computador. Permanentemente. Ficara muito nervosa com o que descobriu e com um tapa derrubou a cêpêu no chão espatifando-a para todos os lados.


- Alô!

- Oi...Abigail?

- A própria!

- Que voz é essa?

- Acredita que o cachorro do Pereira me trai?

- Ai, caramba! Mas Abigail...

- Descobri agora! Fui usar o computador do escritório aqui de casa e o emeesseene dele entrou automaticamente! E advinha? Advinha? Advinha? Aquela vaca da Elis, aquela peituda do trabalho dele? Então. Ela reclamou que ele não foi vê-la ontem, que tava com saudades! Que queria ele todinho! Todinho! Que ódio!

- Abigail, deixa eu falar...Eu acho que...

- ...que este filho da puta me paga! Amorzinho? Acredita que a vaca o chama de amorzinho? Ele odeia quando o chamo por qualquer apelido! É Pereira pra cá, Pereira pra lá... Tá me subindo uma coisa, que raiva, que raiva!

- Será que não vai ser...

- Mas deixa ele! Vou ficar aqui, com esta conversa gravadinha! Quando ele chegar eu vou pegar e...

- ABIGAIL, CHEGA!

- ...

- Bom, agora que me deixou falar, você tem que tirar isto como uma lição! Quase um aviso! Vai lá imediatamente no seu laptop e apaga todas as nossas conversas no messenger, vai amor!


***


P.S.: sei que ando um tanto relapso com as visitas aos blogues que leio, mas não é de forma propositada. Trata-se de um período com projetos colocados em prática, além de, agora, alguns problemas pessoais. Por isso, não me abandonem! Tão logo atualizarei minha leitura em todos os blogues.

domingo, 2 de novembro de 2008

OBA-OBA DIGITAL

Turulim! Oi meu bem…
— (Meu bem? Como assim?)
Turulim! Amorzinho? Vc tá aí?
— (Amorzinho? Ah, agora avacalhou de vez! Ah, aí tem coisa, Pereira! E eu vou descobrir tin-tin por tin-tin!) To sim meu bem! Td bem c/ vc?
Turulim! Naum…to c/ saudades… – Turulim! Vc naum veio me ve ontem…quero vc, quero vc todinho…vem p/ ca vem? Leia o restante aqui.

Este conto foi redigido para o tema "Internet", do blogue Coletivo, cujo contribuo juntamente com outros sete autores. Faça uma visita. Há sempre um tema novo e a qualidade dos textos é indiscutível. Bom, se bem que os meus também estão por lá...