quinta-feira, 20 de novembro de 2008

VÍTIMA ADESTRADA

Tarde da noite em uma avenida qualquer de uma grande cidade também qualquer do Brasil...

- Toc, toc, toc.
- ...
- Abre a janela, cumpadi! Não tá vendo o cano, não?
- Tô vendo, sim. – Disse ele, abrindo a janela.
- Então, chegado! Perdeu, perdeu! Passa a... Fodeu! Os cana!
- Entra no carro, entra no carro, porra!
- Puta merda, essa foi por pouco! Foram embora...Valeu, chegado! Mas por que me ajudou?
- Porque corro menos perigo contigo.
- Sim...Mas não vai pensando que vou aliviar seu lado, não!
- Não, não, pode ficar tranqüilo...E no mais? Tudo beleza?
- Er...bom, beleza. Só faz um pouco de frio perambular por aí a essa hora, esperando trabalho, mas tá de boa. – Respondeu o assaltante com feição mais calma.
- É, imagino...deve ser barra.
- Pois é...perigoso demais, rapá! Cê tá doido!
- Aqui é meio escuro, né...
- É, falta iluminação...É essa porra de governo que não ajuda nossa classe!
- É verdade...
- ...
- ...
- Bom, assim, sem querer ser muito folgado, passa a grana, cara.
- Tudo bem, mas vira isso pra lá, pô!
- O quê, a pistola? Ah, desculpa, é a força do hábito. Mas relaxa...É de brinquedo.
- Mentira! Cara, que do caralho! Posso ver?
- Claro que pode!
- Porra, parece de verdade mesmo, hein?
- Pois é. Não comprei uma de verdade porque não sabia usar direito.
- Como assim, não sabe usar direito? Esse não é teu ofício?
- Olha só, vou te confessar algo: hoje é meu primeiro dia!
- Putz, não brinca...
- É sério.
- Sério mesmo?
- Tô te falando, cumpadi.
- Sim...E como foi o primeiro dia?
- Nada bom. Até agora só tive um cliente, que foi você.
- Ah, mas tá legal pro primeiro dia!
- É verdade... Aí, tu é um cara gente boa...
- Ah, o que é isso, obrigado pelo elogio! Você também não é má pessoa!
- Prazer, Idaílson. – Disse o assaltante estendendo a mão.
- Eu sou o Gustavo.
- É...o papo tá bom e até te convidaria pra tomar um chope, mas ainda tô no meu horário de expediente, então...
- Não, o que é isso, sem problemas. A gente marca outro dia, pode ser?
- Claro! Bom, então vou indo...
- Até mais!

Gustavo deu a partida e saiu dirigindo lentamente. Pouco metros na frente freou, pôs a cara para a fora da janela e procurou por seu algoz, que caminhava de costas.

- Idaílson! – Gustavo berrou dando a ré no carro.
- Fala, meu chegado!
- Tu esqueceu de levar o dinheiro, pô!
- Putz! Onde eu tô com a cabeça...
- Relaxa. Deve ser inexperiência do primeiro dia.
- É, tem razão, deve ser. Cara, brigado. Não sei nem o que dizer...
- Ah, disponha. E não precisa dizer nada, não. – E foi embora, enquanto o assaltante pensava sozinho com seus botões.
- Tá vendo? É de gente boa assim que esse país precisa!

*Inspirado livremente em cena do filme Meu nome não é Johnny.

13 comentários:

Bechelany disse...

Esse tal de Gustavo... A escolha do nome foi excelente, mas o cara é meio mané...

hehehehehehehe

Abração!

outroblogdamary.com disse...

Achei o Gustavo gente boa. Tão gente boa que eu não acredito que ele - ou alguém como ele - existe. Ser assaltado é uma @%@#$!

Thiago Apenas disse...

O mundo não está perdido!

Claudinha disse...

Pois é, todo mundo pode se surpreender, até mesmo o ladrão... Beijo!

O Sibarita disse...

Olá véi! kkkk Me bata uma vitamina de abacate com limão! kkkkkkkkkkkk

Tá rebocado, piripicado tá 10 seu texto! Ri a bessa das atrapalhadas do noviço assaltante! kkkkkkkkkkkk

Desculpe a demora em vir é que apesar de dizerem que nós baianos somos preguiçosos, na verdade, damos um duro retado é ou não é?

E se não estamos no trampo, estamos no santuario da cama mandando vê, é só olhar o tamanho das nossas proles, kkkkk são 10,11,12... filhos! kkkkk

E como é que nos chamam de bicho preguiça? Valha-me Deus! kkkk

É inveja, só pode ser! kkkkkkkkkkk

No mais sou chicleteiro também desde o antigo Traz a Massa, faça fé meu rei! kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Eita baiano porreta!

abraços,
O Sibarita

Fernando Ramos disse...

Gustavo: pô, Gustavo, mas eu só imaginava você com o assaltante. Hehehe.

Mary: mulher, pensei que tivesse até excluído meu link do ObdM. Mas foi ótimo ver você por aqui. E não. O Gustavo jamais existe. O que existe é uma sátira à vítima educada pela sociedade, pois seão destas que os bandidos - os profissionais, diga-se de passagem - gostam.

Thiago: se o mundo não está, pelo menos a segurança nele foi pro beleléu.

Claudinha: surpresa ficarás quando vir esta cena no filme. É de surpreender realmente o bandido.

O Sibarita: rapaz, quem é vivo sempre aparece! Eu e o Rod falávamos de ti esses dias! Como andam as coisas, meu poeta?
Nunca mais entrei no teu blogue. Nada pessoal, também fiquei uma longa data sem entrar em outros blogues. Mas me atualizarei do que escreveste não percamos mais o contato, ok, meu querido?!

Abraços!

Jeff McFly disse...

Pow... realmente, ser assaltado é uma coisa altamente frustrante. Dá uma sensação de impotencia.

Valeu pelo comentáio lá no Blog do Arroto. Volte sempre!

Letícia disse...

Fernando, manda uns assaltantes desses aqui pra são paulo, aqui tá precisando muito...hehehehehe

Fernando Ramos disse...

Jeff McFly: cara, acho que prefiro um broxada a ser assaltado sete mil vezes. Nossa, que trocadilho infâme. Hehehe. E como disse no teu blogue, obrigado por visitar a Coluna, seja bem-vindo, mas até você deixar um comentário aqui, ainda não havia conhecido teu blogue.

Letícia: mulher, se eu soubesse onde tem desses, eu mandava pra Sampa e também chamava pra tomar um chope.

Flávia disse...

virge.

O último bandido que me assaltou levou uma bolsada. Deve ter me achado o cúmulo da grosseria, hehehe...

Beijos!

A Senhora disse...

Com arma de brinquedo ou não, iniciante ou não, situação difícil todos nós passamos. Ser assaltado é uma sensação de impotência que dificilmente vamos conseguir ver o lado bom bandido.

Favoretto, Thais. disse...

tão gente boa, esse cara, que chega a me dar nojo. hahahahah

ótimo texto! o/

ps. nesse ritmo, aonde vamos parar?

beeijos!

Ana Paula disse...

kkk Tu é mesmo fã do Gustavo, hein! kkkkk.