Terça-feira, 20 de Maio de 2008

TIRADOR DE XEROX, NÃO. OPERADOR DE FOTOCOPIADORA

De acordo com algumas lendas urbanas, há um tempão atrás houve uma discussão digital entre dois blogueiros. Transcrevo abaixo os comentários no post mais recente daquele blogue da mesma forma que chegaram aos meus ouvidos.

Marcelo disse:
Parabéns pelo texto! Muito bom! Abraços!

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disse:
Putz, meu, como você escreve bem! Muito bom seu ponto de vista!

Beijos, beijos.

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Linda disse:
Meu, só uma palavra pra este texto. Aliás, um palavrão: puta que pariu! :)

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Felipe disse:
Que feio, hein! Copiando texto dos outros! Eu já li este texto que você postou hoje há um tempão em outro blogue!

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Clerivaldo disse:
Como e q e? Esse testo é meu sim!!!

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Felipe disse:
Nem vem com essa, não! Eu tenho certeza que nem mesmo uma vírgula aí é sua! Acabou de provar isso com seu ótimo português!

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Felipe disse:
Ué, não vai responder, não? Ah, esqueci de dizer que conheço o blogueiro. E ele, inclusive, colocou uma proteção anti-controlcê, controlvê no blogue...Por falar nisso, já que este texto dele foi postado após essa proteção, eu queria tirar uma dúvida: como você fez isso?

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Clerivaldo disse:
Olha vai pru inferno! Num sei do q vc tá falano! Esse testo é meu sim!!! Deu o maior trabalho!!! Eu q tive q digitar tudinho!!!


Se você não sabe de onde vem o título deste post, assista ao trailer do filme aqui.

Domingo, 11 de Maio de 2008

BEBUM

Como todos sabem, Átila é um tosco. Aliás, um, não. Ele é o tosco.

Eis que certo dia, um bêbado maltrapilho resolveu importuná-lo na porta de sua casa, enquanto conversava com um amigo. Coitado, não sabia quem era o Átila.

- Então, Léo, dái eu... – E o bêbado interrompendo.

- Ô mozo, ô mozo...zê num tem um goe d’água preza pezoa aqui que carece de zêde?

- Como, é rapá? – Respondeu Átila em tom ríspido, enquanto seu amigo gargalhava do bêbado.

- Água, mô querido, tô numa zêde do garalho...

- Ô, meu irmão! Não tem vergonha, não? São dez da manhã e você já tá bêbado desse jeito! Vá caçar o que fazer! Tem nada pra bêbado aqui, não! Vaza!

- Ô mozo, num dô bêbado, zó com uma zêde vudida...

- Tá com sede porra nenhuma! Você tá é de fogo, infeliz! Já disse: vaza!

O bêbado, tropeçando nas próprias pernas, já ia embora quando Átila o chamou.

- Aliás, bicho, volta aqui! Você quer água, né?

- Izo...zó uma aguinha...

- Então espera aí.

O amigo ficou surpreso de ver a atitude tão solícita de Átila. “Estaria ele passando mal?”, foi o que deve ter passado pela sua mente só pela feição de curiosidade.

Átila retornou de dentro da casa com um copo grande, de quase uns setecentos emeele de água. Agora sim, seu amigo quis bater uma foto do momento. O Átila, tosco, folgado, cara-de-pau, fazendo uma boa ação, mesmo que inicialmente a contra-gosto, valeria um prêmio de melhor fotografia do ano. Isto é, se soubessem quem é o Átila.

O bêbado tomou toda a água sem respirar. Fez uma careta no início, mas depois bebeu tudo.

- Bigra, biga...brigado! Burrrrrp!

- Não por isso, gente boa! Volte quando quiser!

O amigo então, sem se conter o questionou.

- Pagando promessa, é Átila? Você sendo útil a alguém? Muito estranho... – Disse ele sorrindo.

- Hohohohoho, hahahahahaha, hehehehehehe.

- Ih...essa gargalhada é a tua marca registrada quando sacaneia alguém. Conta aí, o que tu fez?

- Ele não tava com sede? Então. Dei um copo pra ele cheinho de água. Da privada.

Sexta-feira, 25 de Abril de 2008

LIÇÃO DE VIDA

Era quase meio-dia, quando abriu os olhos vendo tudo embaçado. Assim que sua visão se estabilizou, e sua mulher e filhos pararam de chorar, abraçando-o na cama da utêi, ele começou a recordar alguns nacos do acontecido na noite anterior. Um assaltante havia entrado em sua casa, e ele, sonolento atendendo ao pedido da mulher, foi averiguar o andar de baixo. Veloso se assustou com a presença do mau elemento na própria casa, e o ladrão, nada tarimbado, também no susto, disparou com o revólver calibre vinte e dois contra o dono da casa.

Assim que ele acordou e a notícia se espalhou aos amigos ávidos por informação, não tardou chegarem visitas. Veloso, com o semblante meio mudo, estava calado até então, e abriu a boca para resmungar: “Hoje temos que torcer pra sermos assaltados por profissionais! É o fim dos tempos!”. Suspirou e indagou: “E o bandido? Pegaram o bandido?” “Pegaram sim, Veloso. Parece que o cara foi encontrado hoje cedo num boteco, bêbado igual um gambá!”. Veloso ficou perplexo com a resposta e se absteve do resto da conversa, que logo preencheu o quarto com inúmeras fofocas do filho de belclano que virou ladrão e assaltou fulana, que o carregou no colo; de ciclano que quase morreu quando foi assaltado por um pivete; que o governo não faz nada a respeito e outras histórias corriqueiras sobre a violência na cidade. Ficou enfadado da conversa e ligou a têvê, mas só passava notícias do caso Isabela, a menina que foi jogada do sexto andar. “Isso já virou uma minissérie!”, ele pensou. Então, sentiu-se entediado e adormeceu.

De qualquer forma, isso tudo foi após a cirurgia para extirpar o projétil do corpo de Veloso, considerada como um desses milagres que fazem qualquer ateu crer em Deus. A bala do vinte e dois, como foi disparada a queima-roupa, não atingiu sua velocidade final e assim, não teve força para fazer um grande estrago, ficando alojada um palmo acima do coração, no ombro esquerdo de Veloso. Há de se agradecer também a mira do bandido, pois este, com certeza, nunca jogou dardos.

Quando Veloso acordou, teve a boa notícia do médico; dentro de dois dias teria alta, e a partir de agora ficaria só em observação.

Os dois dias passaram depressa e no finzinho da tarde do segundo dia dado pelo doutor, Veloso pôde voltar para casa. O tom da conversa no caminho era de felicidade por ele estar bem, além das súplicas de sua esposa, dizendo que o marido estar vivo era uma dádiva divina, que ele deveria aproveitar mais a vida, que não podia ser tão carrancudo et cetera et cetera et cetera. Em suma: queriam um Veloso mais bem humorado. Ele respondeu que ela tinha toda a razão e que tentaria mudar, algo muito, muito estranho, já que ele nunca concordava com as coisas, dificilmente dava o braço a torcer. Como não bastasse essa estranheza toda, ainda pediu ao filho que dirigia para passar no shopping. Disse a todos para aguardarem no carro, sob protestos deles, pois não queriam deixá-lo sozinho. Voltou após quarenta e três minutos com uma sacola. Foi questionado sobre o embrulho, entretanto, disse apenas que era besteira, que depois mostrava. O resto do percurso foi marcado pelo mesmo assunto, aproveitar a vida, ser melhor humorado et cetera. Todos até esqueceram da tal sacola.

À noite, jantaram em família, dando grande valor àquele momento. Refletiram sobre como a vida pode levar alguém querido de uma hora para a outra, que o pai de família ali sentado poderia não estar mais entre eles. E aí foi um rio de lágrimas, até Veloso, avesso ao choro, deixou escapar umas poucas e discretas gotículas de canto do olho.

Na hora de deitar, perguntou a esposa se poderia dormir sozinho no primeiro dia, para se acostumar com a ferida da bala, ao que ela atendeu prontamente. De manhã, bem cedo, por volta das oito e vinte, esposa e filhos tomavam o café-da-manhã, e repentinamente, ouviram um estrondo ecoar pela casa, semelhante a um tiro. E vinha do andar de cima. Todos subiram correndo em desespero.

Quando abriram a porta do quarto de hóspedes para ver, lá estava o corpo de Veloso todo sujo de um rubro indescritível. A cabeça pingava e havia uma gosma espalhada por toda ela, além do travesseiro. Ele estava deitado de bruços, a mão direita embaixo do travesseiro, e junto a ela, um revólver calibre trinta e oito. Suicídio não parecia ser, pois a arma não estava meio presa a mão. Talvez ficara traumatizado com o assalto, resolvera comprar uma arma e dormir com ela em baixo do travesseiro, e, devido a sua imperícia, poderia ter esquecido de travá-la, logo após carregá-la. A cena dava asco e se assemelhava àquela principal de Jogos Mortais, com um corpo caído entre os dois acorrentados. Sua filha e esposa berravam, o filho chorava menos que as outras duas, embora fosse o suficiente para molhar-lhe todo o rosto. Passou em segundos na sua cabeça que seu pai havia escapado de uma morte fatal por arma de fogo e agora poderia ter se matado sem querer por dormir com uma embaixo do travesseiro. Uma grandessíssima ironia.

Mesmo assim, o filho era o que tinha mais condições psicológicas no recinto. Foi ele quem se aproximou do pai – chorando e tremendo – e tocou lhe o corpo.

- TCHARAN!

O pai gritou abrindo o olho. A filha saiu correndo e barregando pelo corredor, a mãe desmaiou e a calça do filho jorrava. Veloso pulou da cama e continuou:

- Ué, gente, o que é isso? Vocês não queriam que eu tivesse bom humor? Então, é tudo mentirinha, ó! Primeiro de abril!

Segunda-feira, 14 de Abril de 2008

QUILINHOS A MAIS

Não tardou para que a amiga chegasse em sua casa. O pior havia passado, ela estava mais calma, pois só chorava... A amiga lhe afagou os cabelos e a interpelou.

- Pôxa, amiga...não fica assim...me conta, vai? Por que você tá chorando?

- Fiz um pedido de uma, de uma, de uma camisetinha linda pela Internet e me dei mal!

- Mas menina, calma, calma. Chorando desse jeito você vai acabar passando mal, vai ficar sem ar! Peraí que vou buscar uma água com açúcar...toma.

- ...

- E então, tá melhor?

- Um pouco.

Ela respira fundo, limpa o rosto das lágrimas que insistem em escapar pelos cantos dos olhos, e consegue se acalmar.

- Vai amiga, conta devagar. Me explica, o que foi? Clonaram seu cartão, descobriram sua senha?

- Não, foi tudo tranqüilo. Sem problema algum com o pagamento. – Disse em voz baixa, triste.

- Mas então, o que aconteceu?

- É que pedi o tamanho errado...

- Ai, tadinha! Isso é tão chato. Deve ter gasto um dinheirão, né? (Nossa, mas como é sentimental, meu Deus...Sempre a mesma coisa todo fim de mês.)

- Foi! Pedi dos Estados Unidos...

- ...e não vai pode trocar nem usar, já que não serviu...

E ela interrompendo a amiga abriu o berreiro novamente e respondia afogando-se nas próprias lágrimas:

- Esse é o pro - ic! - blema...fui ic! ver meu pedido no site ic! agora. E, e, e, e, percebi que ic! na hora da compra mar - ic! - quei por engano o tamanho, o tamanho, ic! o tamanho gêgê, ao invés do eme!

- Ué, menina, disso eu sei. Você comprou trocado. E daí?

- E daí, e daí, ic! que com, comprei ic! trocado! Mas coube ic! direitinho! – E continuou chorando enquanto pegava na bolsa uma barra de Suflair.