Bom, já que o senhor quer escutar meu caso... É que eu nunca dei caronas pra estranhos. Às vezes dá até dó de alguns coitados que ficam acenando com a mão na beira da pista, mas nos dias de hoje é tudo perigoso demais, entende? Não dá pra confiar, e em cidade grande, sempre que alguém tenta ser muito bonzinho, ele se fode. Além do mais, mesmo que o carona tenha boa índole, eu não o conheço, nunca o vi na vida. E sou muito ruim pra puxar papo com estranhos. Iríamos ficar sem jeito, ele, grato pela minha boa ação, tentaria ser amistoso e me perguntaria coisas sobre o tempo, falaria mal do governo, comentaria sobre os resultados da rodada passada do futebol e eu tentaria ser cortês achando aquilo tudo um saco. Não, definitivamente prefiro continuar sem dar carona.Acontece que certo dia eu vi uma loira maravilhosa pedindo carona. E o senhor já viu alguma mulher bonita ter dificuldade pra conseguir algo? Eu nunca vi mulher bonita ser multada em blitz. Nunca vi ninguém negar favor a uma mulher bonita. Nunca vi mulher bonita trocar sozinha o pneu de um carro, enfim...mulher bonita não precisa nem estudar. Mas quem disse isso não fui eu, apesar de concordar com parte dessa filosofia. Quem vive entoando isso é o Nelsinho, lá da firma. Minha opinião é que pra uma mulher não precisar estudar, ela tem que ser muito, mas muito maravilhosa. E muito, mas muito gostosa. E a loira pedindo carona não precisava estudar.
Parei o carro no acostamento e perguntei pra onde ela ia. Ela me disse - com sua voz, longe de ser bonita ou doce, coisa que destoou da sua beleza - um endereço que era o extremo oposto da minha direção usual. Refleti bem em questão de milésimos e respondi “Estou justamente indo pra lá! Que coincidência, não?”.
Putz, ela entrou no carro, e a Roberta, conforme se apresentou, me deixou tão alucinado que virei uma matraca. Logo eu, que odeio conversar assuntos clichês com estranhos. Mas com ela estava ótimo reclamar que o engarrafamento era culpa do Lula, discutir sobre a forte chuva do dia anterior ou sobre a quase morte do Juvenal Antena no tiroteio da Portelinha, na novela das oito. Mas só recorri a este assunto porque achei que não seria uma boa hora pra falar do mengão.
Meia-hora depois, estávamos no local aonde Roberta desceria. Ela preferiu que eu não a deixasse na porta de sua casa. Rolos com ex-namorado etc etc etc. Encostei o carro aonde ela pediu, embaixo de uma mangueira, perto de uma praça, num lugar que vez o outra passava alguém. Conversávamos a esmo quando ela me interrompeu com sua voz exótica dizendo que eu era muito simpático, ao que respondi que a recíproca era verdadeira, que ela era simpaticíssima. Após esta troca mútua de gentilezas, pintou um clima. A gente se beijou e eu, polvo que sou, tentava minhas investidas naquelas coxas grossas e malhadas que ela tinha, mas a gostosa sempre tirava minha mão no primeiro toque! Desisti das pernas e de imediato tentei os seios, e pra minha surpresa, tive sucesso! Cheirei seu pescoço e quando beijava seu colo, prestes a tirar a alça da sua blusa, senti algo gelado no pescoço e escutei um clic.
- Puta que pariu...ela te assaltou. Você registrou ocorrência na polícia?
- Você tá louco, doutor? Registrar ocorrência na polícia?
- Ué! Mas não é isso que se deve fazer?
- ...
- E ela levou sua carteira, seu carro?
- Não. Na verdade...não era uma bandida.
- Se com uma arma no seu pescoço ela não era bandida, o que era?
- Ninfo.
- Não acredito! Sortudo de uma figa! Eu ouvi falar disso num e-mail que recebi! A mulher ninfomaníaca te seqüestra, te usa ao bel prazer e vai embora...
- O senhor não entendeu, doutor. Eu disse ninfo, no masculino.
- ...
- ...
- A gente falava de...a gente falava de, ah, perdão, nem sei mais o que dizer.
- Não diga nada, doutor. Só me responde o seguinte: o senhor é realmente o melhor proctologista da região?
***
Relevem, o conto é antigo e não foi revisado ou revistado.
E há conto safado novo lá na Escrita Salaz, meu bloguinho cafajeste. Querem um trechinho do conto?
"Ísis era branquinha, de cabelos pretos e longos, boca apertada e quando fazia sexo anal sentia tesão de pingar."
Esquizofrenia, o novo conto da Escrita Salaz.
É claro que os menores de idade e de espírito, já diria a poetisa Van Luchiari, não acessarão, certo? ;)





